PAIS DE ADOLESCENTES

            No mês que celebramos a vida dos adolescentes batistas, somos desafiados a pensar e interagir com os pais. São eles os responsáveis pela transição harmoniosa dessa fase etária para a vida jovem e, quiçá, pela existência adulta equilibrada. É na adolescência que as principais decisões que nortearão a vida são tomadas: decide-se qual o curso a fazer, qual a profissão seguir, com quem namorar com o intuito de casar, que tipo de família vai ser constituída, etc. A decisão religiosa é feita, na maioria das vezes, nesta linda fase da vida. Para tais decisões o adolescente precisa de um ambiente acolhedor, saudável, repleto de amor e compreensão. Carece de pessoas que sirvam não como policiais a vigiar seus atos e passos, mas de conselheiros compreensivos. Confidentes capazes de ouvir e penetrar no impenetrável mutismo adolescente.

            Os pais são as pessoas ideais para aplainar o caminho e para dar suporte e respostas para as terríveis dúvidas que o martirizam. Como amigos, confidentes, cúmplices e companheiros que já palmilharam o mesmo caminho há alguns anos, os pais têm todos os recursos para ajudar e tornar a adolescência dos filhos em época inesquecível.

            A realidade nas igrejas revela-se um quadro sombrio. São poucos os pais preparados para lidar com sabedoria com os filhos adolescentes. A maioria adentra e recebe esta fase na vida dos filhos com certo horror. Gerou-se o estigma de que o adolescente é rebelde por natureza, que é desequilibrado e contestador contumaz, que não admite interferência no seu mundo e nos seus segredos. Daí a alcunha maligna repetida por alguns pais despreparados: a idade da “aborrecência”.

            Uma vez colocada a pecha, é difícil removê-la. Alguns fatores determinam este proceder caótico dos pais.

            Primeiro, esquecem que foram adolescentes um dia. Não foram melhores do que os filhos. Alguns ocultam sob a falsa capa de santidade e moralidade, histórias macabras, desvios de personalidade e falhas de caráter que ainda persistem em frutificar. Fustigados pelos erros da sua própria adolescência, vêem nos filhos a possibilidade de projetar na tela comum da família as suas loucuras do passado. Essa suposta projeção os leva a tratarem os filhos com desconfiança, agressividade e coerção. Tudo é proibido. Alguns, menos seguros, partem para o tudo é permitido desde que não me comprometa. Isto certamente gera distúrbio familiar.

            Em segundo lugar, há pais que não se preparam para gerarem filhos. São bons empregados, excelentes homens e mulheres de negócios e possuem cursos e especializações em suas áreas profissionais. Porém jamais leram um livro ou um artigo sobre como educar filhos. Os bebês desses pais modernos e despreparados já nascem “falando”. O que mais ouvimos destes pais é: O bebê não quer, não gosta, não suporta. Leia-se: Sou pai e mãe incompetente que não sei educar e não quero aprender como fazê-lo. Claro que tais bebês crescem e se transformam em adolescentes monstros. Todos o temem, todos dizem sim para eles, todos fogem deles e muitos se arrependem de os terem gerado. Educar filhos exige mais do que mamadeira na hora certa. É necessária a  capacidade para determinar limites, estabelecer horários e coibir que mexam em tudo. Dizer não, com amor. Corrigir com sabedoria. É triste e estarrecedor ver uma criança com menos de dois anos, dominando e escravizando os pais, colocando algemas nos avós e acorrentando uma dúzia de tios e primos apavorados. Bom adolescente ele não será, muito menos um adulto equilibrado. Certamente será um péssimo marido ou esposa no futuro.

            O terceiro ponto a ser destacado é quer é necessário saber dialogar com o adolescente, jamais gritar, nunca expô-lo ao ridículo perante terceiros. Também é importante o ouvir e permitir que expresse suas opiniões, além de respeitá-lo com dignidade. Pais que só exigem, que nunca estão satisfeitos com o desempenho dos filhos e que tentam realizar através dos filhos seus fracassos profissionais, certamente terão em casa adolescentes rebeldes, que tudo farão para desmoralizar a família.

            O quarto ponto é que os pais que só vêem defeitos e erros nunca conseguirão ser amigos dos filhos. Entram no quarto dos filhos para reclamar da bagunça. No entanto nunca entraram nos quartos dos filhos para orar por eles e com eles, jamais sentaram na cama do filho para estabelecer um diálogo compreensivo e com a disposição de ajudar e caminharem juntos. Pais assim podem aguardar adolescentes problemáticos. O mutismo do adolescente é o grito de alerta, um perdido de socorro, uma dor de alma que ele não consegue expressar por não ter pais capazes de compreendê-lo.

            Como um pai ou mãe salvo por Cristo, seja amigo dos seus filhos. Viva a adolescência deles com carinho e amor, conduzindo-os a Cristo como Salvador e Senhor.

 

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