AMOR NÃO DIVIDE, SÓ MULTIPLICA

Jovina, desde cedo, era uma menina com instinto materno muito acentuado. Imagino a pequena Jovina dando vida às suas bonecas e com elas dialogando como gente:

– “Olha, a mamãe vai na cidade e já volta já. Fica quietinha aí, viu?

–  Não vai fazer nenhuma arte, tá?”.

Assim cresceu Jovina. Seu maior sonho era ser mãe. Casou-se com Manuel, um rapaz de boa índole, trabalhador, com quem vivia em absoluta harmonia. Ambos foram minhas ovelhas em Acari.

Habitualmente muito prestativos, viviam para servir. Nos passeios da igreja, Jovina sempre levava uma garrafa de café, às vezes duas, e assim que o povo se instalava ela começava a servir o disputado cafezinho. Manuel ajudava as famílias a carregarem as suas bagagens. Estavam sempre juntos e de bom humor.

 Os anos foram se passando e nada de Jovina engravidar. Ela e Manuel se dedicavam muito as crianças de outros casais, talvez para satisfazer a falta que sentiam de um filho que eles mesmos tivessem gerado. Finalmente, resolveram adotar uma criança.

Conseguiram um bebê, uma menina, a quem dedicaram todo o seu amor. Era uma criança dócil, que aprendeu desde cedo a amar os pais adotivos, sempre disposta a ajudar em casa, alegre, uma menina feliz que transmitia felicidade. Quando a menina estava na adolescência, de repente, Jovina engravidou, já na faixa dos 35 anos. Foi uma gestação um pouco trabalhosa, mas tranqüila. Nasceu uma linda menina.

 Percebia-se que o casal estava muito feliz com a chegada do bebê. Era um sonho que se realizava, um sonho que tanto Jovina quanto Manuel acalentava desde que se casaram. Nunca o amor do casal foi abalado pela falta de um filho saído de suas entranhas, nunca tiveram qualquer problema por causa disso, mas no íntimo, suspiravam por essa benção.

Agora que a bênção lhes foi concedida, estavam mais do que felizes. Fiquei um pouco preocupado, pensando nos sentimentos da mãe agora tendo que dividir o seu amor entre as duas filhas: Uma gerada no coração, outra gerada no próprio ventre. Será que Jovina saberia repartir o seu amor de maneira que a filha mais velha não fosse afetada pela síndrome da perda do trono, nem a mais nova viesse e sentir-se desprezada por encontrar o trono já ocupado?

Perguntei a irmã Jovina: “Como e que agora você vai poder dividir o seu amor entre as duas meninas?”. A resposta de Jovina me deixou com a sensação de total ignorância quanto à natureza do amor de mãe. Sorrindo com simplicidade, ela me respondeu: “Pastor, o amor de mãe não se divide, só se multiplica”. Ela poderia dedicar à filha adotiva o mesmo amor com que iria amar a sua própria filha, sem nada diminuir, pelo contrário, por possuir uma filha gerada em seu ventre, teria como dedicar maior amor pela filha adotiva. E por ter aprendido a amar e a se dedicar a filha de adoção, com certeza deveria ter maior amor ainda pela sua própria filha e prestar-lhe os cuidados que aqueles anos de convivência com a primeira filha lhe haviam ensinado. Ficou a preciosa lição na minha mente. “Amor de mãe não se divide, só se multiplica”.

Quanto às meninas, não pude acompanhar o crescimento delas, mas pela natureza e pela disposição de amor de Jovina e Manuel, acredito que nunca tenha brotado qualquer raiz de ciúme no coração de nenhuma delas, mas que elas sejam amigas que se amam e se cuidam, hoje já mulheres feitas. Espero que um dia ainda possa encontrar Jovina e Manuel e saber dos desdobramentos dessa história de amor, o amor de mãe que nada subtrai, somente soma, que nada divide, só multiplica amor.

Este texto é de autoria do PR. João Falcão Sobrinho, mas deve nos levar a pensar que o amor de mãe é o reflexo do amor de Deus em nossas vidas. Deus nos ama e seu amor somente multiplica-se em nós e por nós.

 

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