EBD

O testemunho do Pr. Julio Sanches, de São Paulo, deve levar-nos a pensar no papel da EBD em nossas vidas.

A classe de crianças funcionava ao ar livre, debaixo de um pé de bugre. A árvore frondosa produzia frutinhas vermelhas, pegajosas e não comestíveis. Quando madura, era o terror da professora. Precisava chegar à classe antes dos alunos. Caso contrário, as duas tábuas brutas, que serviam de bancos, eram “pintadas” pelos alunos. Era “divertido” ver a roupa do colega grudada no banco. Não havia quadro de giz. Papel para desenhar, nem sonhar. O único papel era a “Jóias de Cristo”, com suas lições e ilustrações. A classe era animada. Versículos eram decorados, histórias lindas retiradas da Bíblia, o livro texto. Lições práticas para convivência semanal. Tenho saudades daquela classe infantil da EBD, em pleno domingo à tarde. Ar ecológico, refrigeração natural, ninguém faltava, mesmo nos dias de chuva. Não era possível perder a possibilidade de colecionar as Jóias.

Cresci, não muito. Aos 19 anos aventurei-me a buscar o Rio de Janeiro com o intuito de estudar. Primário completo e um grande anseio por conhecimento. Num domingo de junho do ano de 1956 cheguei a Igreja Batista em Cachambi. A EBD era antes do culto. A classe de jovens, só rapazes, funcionava debaixo de uma velha jaqueira. Calor ou frio não impedia o comparecimento dos alunos, mais de 40. Ao redor do tronco, para assegurar sombra, estudávamos a Bíblia. Não havia quadro de giz. Material didático, só a Bíblia e a revista. O professor conseguia manter e aguçar a atenção dos alunos, apesar do barulho e dos transeuntes na rua. Não havia dispersão,mas atenção irrestrita ao ensino. Todos de Bíblias abertas a descobrir as pérolas do tesouro bíblico. A lição era estudada durante a semana e no domingo o assunto era aprofundado. Aprendi com o professor, um baiano alegre que “pecado é igual a cacho de coco: Sempre dá em pencas”. A vida confirmou tal verdade ao vê-lo em pencas na experiência de muitas ovelhas rebeldes.

Com seu jeito especial, o irmão Antonino da Franca Cardoso nos oferecia subsidio para um viver cristão equilibrado. Não havia cantoria, apenas Bíblia. As verdades bíblicas ficaram impregnadas na alma. Das classes à sombra do pé de bugre ao tronco da jaqueira ficou a convicção de uma EBD quase perfeita. Dos primeiros versículos memorizados às grandes doutrinas bíblicas prevalece a segurança da vida cristã alicerçada em experiência de vida que o tempo não consegue apagar.

Eram EBDs perfeitas. Apesar da inexistência de material didático apropriado, prevalecia a centralidade da Bíblia. Havia o prazer em estudar, comparar textos e descobrir suas verdades. Havia vida na EBD, pois havia Bíblia. Todos os jovens chegavam ao templo portando Bíblias. Era o livro texto. Significava diferença.

Hoje temos material didático de primeira qualidade, salas equipadas e climatizadas, boas cadeiras. Ninguém precisa se esquivar dos raios solares. Há recursos audiovisuais, professores didaticamente preparados. Porém, falta interesse, Bíblia, vida de comunhão com Deus, testemunho e experiência de crescimento espiritual. E possível contar quais jovens comparecem aos cultos portando Bíblias. A maioria não consegue encontrar um livro dos profetas menores ou a terceira epístola de João. O descaso com o estudo sistemático da Bíblia nos alcançou com seus maléficos resultados.

A gama de “literatura” que é oferecida às igrejas não tem compromisso com as nossas doutrinas. O arcabouço doutrinário da denominação foi esfacelado. Uma denominação sem doutrinas definidas passa a ser um aglomerado de pessoas. Não há porque lutar, não ha unidade, tampouco comunhão. Perde-se o relacionamento, a identificação. Chega-se ao ponto crítico no qual nos encontramos: ausência de amor à igreja e ausência de compromisso com alvo comum. Tudo é valido e permitido. Não há crítica salutar sobre o que se ouve.

A EBD capacita o salvo a filtrar o que ouve do púlpito e da mídia que penetra nos lares com estranhas e esdrúxulas mensagens “bíblicas”. Um bom aluno da EBD possui formação teológica que poucos seminários oferecem. Conheço salvos que, mediante a freqüência à EBD, acumularam conhecimentos bíblico-teológicos invejáveis. Verdadeiros teólogos que tornam práticas as mensagens bíblicas. Sem Bíblia o povo se corrompe, e povo corrompido se torna presa fácil das artimanhas malignas.

Aquelas EBDs eram quase perfeitas, pois faltava o material didático. Porém, os bons professores eram conhecedores profundos da Bíblia. Mestres por excelência tiravam dos velhos textos e das velhas histórias bíblicas lições preciosas para o presente e aplicavam-nas com sapiência. Supriam o que faltava dos materiais didáticos. Hoje, a EBD apresenta-se com elaborados recursos didáticos. Porém, deixa a desejar. Faltam professores conhecedores da Bíblia, falta interesse dos alunos, faltam investimentos das igrejas para aprimorar o crescimento dos salvos, falta Bíblia. Prefiro aquelas EBDs quase perfeitas. Eram maravilhosas. Deram-me subsídios para enfrentar as tentações normais da juventude. Ofereceram-me riquezas espirituais que permanecem até hoje. Aulas inesquecíveis. Alegria duradoura.

Vamos valorizar a EBD, a Bíblia. Estudando a Palavra de Deus com afinco, lendo-a sistematicamente. Salvo sem EBD é salvo incompleto, longe de ser um salvo quase perfeito. O alvo é a estatura de Cristo (Efésios 4.13). Precisamos chegar là e a EBD é uma das ferramentas.

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